Notícias
À Descoberta do Geoparque Algarvensis: desvendar a geodiversidade menos conhecida do Algarve
O XLI CAP – Curso de Atualização de Professores em Geociências juntou, de novo, dezenas de participantes para conhecer mais um geoparque português, com muito para revelar sobre a história da Terra também. Cerca de 60 professores visitaram o Algarve e contactaram com a geologia do aspirante geoparque Algarvensis, que começa há mais de 350 milhões de anos no fundo do oceano Rheic.
Neste antigo oceano, depositaram-se os sedimentos que deram origem aos xistos argilosos e grauvaques que caracterizam a Zona Sul Portuguesa e afloram na serra algarvia. Mais tarde, no interior do supercontinente Pangeia, formaram-se os arenitos e argilitos avermelhados conhecidos por "grés de Silves" onde foram encontrados os fósseis com cerca de 227 milhões de anos da espécie semelhante às salamandras-gigantes que dá nome a este geoparque, o Metoposaurus algarvensis. Outro ponto de atração no território deste geoparque é o planalto do Escarpão, onde afloram rochas que surgiram no fundo de um oceano jurássico, habitado por amonites, belemnites e corais.
Maria da Graça Ponte, uma das participantes e frequentadora assídua dos CAPs, reconhece que as saídas de campo assumem sempre um aspeto particular. "Apesar da chuva, gostei muito da subida ao planalto do Escarpão. Por tudo. Gostei da geopoesia da professora Delminda [Moura], da maneira como ela explicou as coisas, da boa-disposição das pessoas e da paisagem cársica do planalto do Escarpão. Achei muito interessante."
Para Rui Cerdeira, outro dos participantes, os pontos mais positivos do fim de semana no Algarve foram o passeio pelo barrocal algarvio na zona do planalto do Escarpão e a excursão até à jazida do Metoposaurus algarvensis com o paleontólogo Octávio Mateus. "Continuo a vir [aos CAPs] porque são sempre interessantes, é sempre novo, recebem-nos sempre muito bem e as coisas estão muito bem coordenadas".
Antes de partir para o terreno, os formandos participaram em dois webinars, que decorreram em setembro de 2021, para conhecer a geodiversidade do geoparque Algarvensis. Os participantes puderam, assim, compreender de forma aprofundada os principais fenómenos geológicos que se manifestam no território do geoparque Algarvensis.
A Associação Portuguesa de Geólogos aproveita para agradecer a todos a sua presença, entusiasmo e unidade durante os webinars e as saídas de campo. Estendemos o nosso agradecimento a todos os oradores e orientadores das excursões, bem como aos Municípios de Loulé, Albufeira e Silves, à Universidade do Algarve e ao CIMA - Centro de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Algarve por toda a colaboração e apoio na organização e realização deste curso de formação.
Com 41 edições ininterruptas, o CAP é já uma tradição da APG na área formativa para docentes do Ensino Básico e Secundário na área das Ciências Naturais. Esta é a quarta edição consecutiva realizada no território de um geoparque, depois da visita ao aspirante geoparque Oeste, em maio de 2021, ao geoparque Estrela, em 2018, e ao geoparque Arouca, em 2019.



